24 abril 2026

A importância de uma maior diversificação do financiamento para a resiliência da agricultura brasileira

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A importância de uma maior diversificação do financiamento para a resiliência da agricultura brasileira

A transição para uma agricultura mais resiliente é uma necessidade reconhecida, e esforços vêm sendo feitos para acelerá-la. Inúmeros projetos pelo Brasil se dedicam a capacitar produtores, restaurar áreas degradadas e promover melhores práticas de produção nas cadeias de valor das principais commodities. Em sua maioria, essas iniciativas dependem de políticas públicas, de financiamento filantrópico ou do compromisso de empresas compradoras. Esse suporte é fundamental, mas insuficiente: para que a mudança ganhe escala condizente com o tamanho do agronegócio brasileiro e produza resultados que se sustentem no tempo, as iniciativas precisam estar integradas a ciclos financeiros rentáveis. Sem isso, boas práticas permanecem marginais, dependentes de recursos que se renovam a cada ciclo de projeto e que podem não conseguir transformar estruturalmente o setor.

A Proforest trabalha há mais de 25 anos pela promoção de paisagens produtivas resilientes e responsáveis, atuando junto às cadeias de valor do agro e em regiões de alta importância socioambiental e produtiva. É nesse contexto que nos engajamos em iniciativas que buscam conectar a agenda de sustentabilidade ao mercado de capitais, não como substituto ao compromisso ambiental, mas como condição para sua perenidade e escala.

Integrando desde 2022 a Responsible Commodities Facility (RCF), a Proforest faz parte do seu conselho com Isabella Freire, Diretora Executiva da Proforest no Brasil, e Jane Lino, Diretora Adjunta, ao lado de organizações como TNC, WWF Brasil, Conservation International, IPAM e o PNUMA. O RCF é uma iniciativa pioneira de financiamento climático focada na produção de soja livre de desmatamento e conversão no Cerrado, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta. Por meio de títulos verdes (CRAs — Certificados de Recebíveis do Agronegócio), o RCF oferece crédito a taxas abaixo do mercado para produtores rurais que conservam vegetação nativa além do exigido pelo Código Florestal, criando um incentivo financeiro concreto para quem escolhe proteger mais. Lançado em 2022 com um piloto de US$ 11 milhões capitalizado por redes varejistas britânicas, o RCF chegou a 2025/26 com US$ 60 milhões em carteira, mobilizados com investidores como Rabobank, AGRI3 Fund e IDB Invest.

Em março de 2026, o Conselho do Fundo Verde do Clima (GCF), o principal mecanismo financeiro multilateral para apoio aos países em desenvolvimento no contexto do Acordo de Paris, aprovou um aporte de US$ 85 milhões ao RCF, com cofinanciamento estimado em US$ 340 milhões. O programa, que integra a carteira prioritária do Programa País 2025 do Ministério da Fazenda, estima reduzir 25,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente e proteger cerca de 380 mil hectares de vegetação nativa do Cerrado. Com esse aporte, o fundo deve alcançar meio bilhão de dólares até 2028, uma trajetória que comprova a viabilidade do modelo de finanças mistas como motor da sustentabilidade no campo.

Para a Proforest, os resultados e expansão do RCF são prova de que o ‘business case’ para uma agricultura responsáveis e resilientes existe e que contribuem com resultados positivos para as pessoas, natureza e o clima.